E já que estou com a embalagem toda da viagem, aproveito para escrever uma pequena dissertação cultural sobre os gregos, o que eles chamam "estradas" e o que eles acham ser "conduzir". Ao longo destas viagens todas, muitas foram feitas de carro e em algumas delas consegui conduzir um bocado (depois de muito pedido, choro e suborno!).
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1. o traço duplo contínuo devia estar em promoção portanto é só o que há pelas estradas gregas;
2. todos os condutores tratam o traço duplo contínuo como se fosse uma espécie de tracejado com luz verde para ultrapassagem;
3. as auto-estradas são quase inesxistentes;
4. o que eles acham ser estradas principais são na verdade carreiros estreitos com curvas e mais curvas, a maioria sem protecção nenhuma, onde mal cabem dois carros ao mesmo tempo (note-se que a faixa mais perto dos precipícios, vá-se lá saber porquê, é sempre a mais apertada);
5. é perfeitamente normal que a estrada dita principal estreite, estreite, estreite e vá passar entre o café do Sr. João e o supermercado da Maria Alzira, no meio de uma aldeola qualquer;
6. as estradas só têm uma faixa para cada sentido;
7. os gregos são uns gajos práticos e utilizam a berma como faixa de rodagem;
8. enganarem-se na saída não constitui qualquer problema: stop, marcha-atrás, vamos embora;
9. é normal encontrar carros sem luzes à noite; para compensar, alguns ligam as luzes de nevoeiro porque sim;
10. ninguém usa pisca;
11. a única sinalização são os mágicos 4 piscas: a partir do momento em que estão ligados, mantenham-se a uma BOA distância porque pode sair tudo dali;
12. ultrapassagens em curvas não constituem problema;
13. ultrapassagens em simultâneo (sempre com uma única faixa para cada lado e com o dito traço duplo contínuo) são prática regular;
14. nas poucas auto-estradas com mais do que uma faixa, a regra é a seguinte: a da esquerda é para circular devagarinho e todas as que estão à direita servem para ultrapassar esses carros por todos os meios possíveis e imaginários;
15. em cidade, os capacetes fazem calor e não vale a pena usá-los;
16. em cidade, se o caminho mais curto implica ruas em sentido proibido, não há problema nenhum;
17. a melhor delas todas (o que eu dava para ter visto esta) é travar a fundo na auto-estrada para fazer inversão de marcha. Epah, o rapaz enganou-se e até há intervalos no separador central.. Um rapaz aproveita, certo? Ora agora ir dar a volta! Pffff!!
18. para terminar (e isto é um costume extremamente mórbido mas faz parte da aculturação e tem de ser relatado), os amigos gregos constroem casinhas com 50cm em todos os pontos da estrada onde já morreu alguém. É sempre bom ir a conduzir confiante e sem medo, sem olhar para o precipício que há ao lado e sem pensar que se vem um carro de frente, um de vocês salta berma fora e dar de caras com as ditas casinhas mais as velas e as flores... "Vai que dá", não é JP?
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E perguntam "e a polícia?".. Ora pois.. Siga sigaaa... Não tem problema nenhum, eles fazem o mesmo.
A única solução para sobreviver é sairem da frente sempre que podem (a berma é uma boa solução); travarem a fundo sempre que "cheirarem" que alguém vai usar os 4 piscas; prestar mais atenção ao retrovisor do que ao vidro da frente; em curvas apertadas, parem o carro e deixem-nos passar. A verdade é que de alguma forma incompreensível, eles sabem o que estão a fazer! São raros os acidentes e de uma outra forma qualquer incompreensível, as ultrapassagens são bem sucedidas e um carro cabe mesmo numa faixa com metade da largura deste!!
